segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Guernica, de Picasso, há 35 anos em casa

Há 35 anos, a gigantesca tela Guernica, de Pablo Picasso, está onde deve estar: em Madri, capital da Espanha, terra natal de seu autor. Há quem a considere a obra de arte mais importante do século passado. Importante mais pelo seu significado simbólico do que pelo significado artístico. Com Guernica, Picasso pretendeu uma crítica à violência gestada pelo fascismo que derrotou o governo comunista espanhol e se impôs hegemônico durante 38 anos (como se os comunistas espanhóis tivessem sido, em contraposição, angelicais).
O quadro foi produzido em Paris e levado para Nova Iorque, nos anos 1940, onde ficou exposto no Museu de Arte Moderna (MoMA) com a ordem expressa de Picasso para que só fosse entregue à Espanha após a redemocratização do País.
Abaixo, algumas imagens do quadro e do contexto em que se encontra, no Museu Rainha Sofia, de Madri.






As fotos são do autor do blog

sábado, 3 de outubro de 2015

Onde eu estava quando reunificaram a Alemanha (Deutsche Wiedervereinigung)

 O 3 de outubro de 1990 foi um evento meramente formal, burocrático. O que importou mesmo foi a Queda do Muro de Berlin, que ocorrera um ano antes, na noite de 9 de novembro de 1989. 
Em 1985, estive em Berlin e, durante uma entrevista que (como jornalista) realizei com um funcionário do governo da Alemanha Ocidental, ouvi dele que como todo o alemão sonhava com a reunificação do País, dividido desde o Pós-Guerra. E acrescentou uma frase que nunca esqueci: "afinal, somos todos alemães". 

 Berlin ainda com o muro. À esquerda a cidade sob o domínio soviético

Mas, quando a reunificação ocorreu de fato, não foi bem assim. Os alemães que estavam sob a dominação soviética foram vistos com olhos críticos e encarados com restrições. Por terem sido condicionados à economia planificada imposta pelos russos estavam totalmente inaptos para conviver numa economia de mercado, como era a da Alemanha Ocidental.
 
 A igreja-memorial "Kaiser Wilhelm Gedächtniskirch"
(O cubo sextavado é a nova igreja, as ruínas são a memória da destuição provocada pela Batalha de Berlin)

 Os ocidentais também não gostaram nada do custo que representou para eles a unificação. A Alemanha unificada padeceu com inflação e recessão. Houve a necessidade de ajuda para aproximar o padrão de vida, ao poder aquisitivo, dos orientais ao nível dos ocidentais. A dívida pública aumentou, a taxa de desemprego cresceu e grupos neonazistas fizeram manifestações.
Com o tempo tudo mais ou menos acabou se ajeitando.

(Regido pelo proprietário do blog em 03/10/2015.
As fotos são da época anterior à queda do Muro de Berlin (o que é outra história) e foram produzidas pelo departamento de divulgação do governo alemão ocidental na época.)

terça-feira, 21 de julho de 2015

Onde eu estava quando Getúlio Vargas se matou


Marca, no casaco do pijama, do tiro à queima-roupa

O casaco do pijama

O revólver e a bala

Vista geral do quarto de Getúlio Vargas

O Palácio do Catete - Hoje, Museu da República

Estava na escola, quando Getúlio Vargas se suicidou às 8h30min do dia 24 de agosto de 1954. Na época, tinha nove anos e idade e cursava o quarto ano do curso Primário no Colégio Felix da Cunha em Pelotas.
Pelas 9h, a diretora da escola, Geni Torres, passou pela nossa sala e informou que, diante do acontecido, as aulas estavam suspensa e os alunos, dispensados. Pediu que saíssemos em silêncio e sem atropelos.
Postos em fila dupla, como era hábito na época, nos dirigimos para a saída da escola. Quando estava para cruzar a porta, o garoto que ia na minha frente, para meu espanto, pôs-se a cantar: "Morreu, morreu, antes ele do que eu!"
Chegando em casa, nova surpresa: chorava pai, chorava mãe, chorava avó, até o cachorro chorava...
E não havia mais notícias além da que fora dada pelo Reporter Esso das 9h. A Rádio Farroupilha de Porto Alegre, que era ouvida em todo Estado, estava fora do ar. Havia sido incendiada por populares enfurecidos, junto com o jornal Diário de Notícias. A rádio e o jornal integravam o Grupo Diários Associados, de Assis Chateaubriand, que fazia oposição a Getúlio.
Em Pelotas, ao contrário da capital, est avacalma. No meio da tarde, via-se alguma certa movimentação de soldados da Brigada Militar, que se deslocavam para guarnecer pontos estratégicos da cidade, tais como a zona portuária.
O episódio do suicido de Getúlio foi o anticlimax da rápida sucessão de acontecimentos desencadeados pelo atentado da Rua Toneleros, em Copacabana, no Rio de Janeiro, que visava o governador Carlos Lacerda, mas acabou vitimando um major da Aeronáutica que o acompanhava.
Os militares, particularmente os da Aeronáutica, em oposição à tendência cada vez mais populista de Getúlio, pressionavam pela renúncia do Presidente da República, viram-se obrigados a desativar o projeto golpista que desenvolviam diante do impacto da morte do homem que era aclamado como "o Pai dos Pobres".

(Texto e fotos do proprietário do blog)

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Pepsi-Cola, o "refrigerante gaúcho". Gaúcho?

No meio de outras, lá estava ela, uma garrafa da Pepsi-Cola. Encontrei-a na manhã de um domingo ensolarado entre antiguidades expostas no Brique da Redenção em Porto Alegre. Não se tratava de uma garrafa qualquer: era uma garrafa antiga, de um dos seus formatos comercializados no Rio Grande do Sul.
Aquela garrafa algo tosca, com um logotipo rudimentar impresso em litografia no vidro arranhado pelos milhares de entrechoques que terá sofrido com suas outras iguais por anos, despertou-me recordações. A Pepsi-Cola foi o refrigerante da minha infância/adolescência e um surpreendente "case" de marketing. Foi o refrigerante mais consumido no Rio Grande do Sul desde o começo de sua fabricação, em março de 1953, até meados dos anos 1980.


O sucesso da Pepsi-Cola nos 'pampas' deveu-se em grande parte ao tino comercial do comendador português Heitor Pires, que, se valeu de suas boas relações com a comunidade portuguesa no Estado para incrementar a venda do refrigerante.
Ocorre que, nos anos 50, o comércio varejista de gêneros alimentícios (armazéns de secos e molhados como eram chamados) nas três principais cidades gaúchas (Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande) estava nas mãos de portugueses. Heitor Silveira, era o que se dizia, vendeu ações da Pepsi para os conterrâneos e estes tinham o maior interesse em vender o produto, pois, assim, lucravam tanto na venda direta quanto nos resultados do investimento.
O sucesso do comendador deveu-se também ao fato de der definido a posição da Pepsi como "refrigerante gaúcho", pois só era fabricada aqui, em contraposição à Coca, que sempre se caracterizou como multinacional e por isso mesmo sofria com a hostilidade dos nacionalistas extremados. Havia até um "jingle" que vendia a Pepsi em ritmo de chula: "Pepsi-Cola eu bebo, com satisfação, bebo no inverno, bebo no verão. Oiga-le Pepsi-Cola gostosa!"
Heitor Pires, entre outras ações de marketing, pintava os armazéns de secos e molhados e bares que vendiam Pepsi com as cores do produto -- azul, vermelho e branco (as cores da bandeira norte-americana!), o que os transformava em um enorme chamariz para o produto. A Coca-Cola tentou seguir o caminho, mas como a Pepsi já havia se apropriado das três cores, teve de optar por um verde (!) totalmente sem graça.
Um colega de ginásio, certa vez, foi ao Rio de Janeiro e voltou contando que, em certa oportunidade, fora com amigos tomar refrigerante em um bar de Copacabana. Chegaram no balcão e perguntaram o que a casa tinha para oferecer. O garçom falou que "tinha de tudo". O gaúcho, acostumado a pedir Pepsi Cola, pediu uma. E o garçom encabulou: não tinha.
Comentava-se até que apenas em dois locais do mundo a Pepsi batia a Coca em vendas: Venezuela e Rio Grande do Sul.

Texto e foto do proprietário do blog - revisto e reapresentado em 17/04/2015

Mais sobre Pepsi-Cola no Rio Grande do Sul:

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Os bondes de Pelotas "et alii"

As duas primeiras fotos desta postagem antecedem em uns cinco anos a extinção definitiva do serviço de bondes de Pelotas em abril de 1955. O bonde da primeira foto e o trecho da via, da segunda, estavam situados no início do declínio suave da Rua Benjamin Constant em direção ao porto da cidade, quase na esquina da Rua 15 de novembro. 


Sim, não só Porto Alegre, mas também. Pelotas e Rio Grande, que completavam o trio das principais cidades do Rio Grande do Sul à época, tiveram as suas linhas de “tramways”. Tudo começou com tração animal, mas a eletrificação evidentemente se impôs com o tempo. Nestas três cidades, os bondes faziam a conexão perfeita entre todos os bairros.


No caso de Pelotas, os bondes foram derrotados pela dificuldade da concessionária em obter reajustes no preço para o usuário que cobrisse os custos. Quando o serviço foi extinto, pela não renovação da concessão, o Brasil vivia um dos seus vários períodos de elevada inflação, que na época era candidamente denominada de “carestia”.

Não foi o caso de Porto Alegre, onde houve uma opção deliberada da Administração Municipal no sentido de extinguir o serviço de bondes em favor do ônibus. Já, Rio Grande, não tenho idéia de como ocorreu o fim dos “tramways”.
Por todo o mundo, porém, o “tramway” está renascendo. Em muitos lugares, como Milão e Lisboa, nem chegou a ser extinto. Estas cidades, além de preservarem modelos de “tramways” iguais aos que percorriam as nossas ruas, os fazem circular ao lado de modelos mais modernos. 

A seguir, fotos de bondes que continuam funcionando em cidades da Europa:

 Lisboa (dos antigos)

 Lisboa (dos antigos)

 Lisboa (dos antigos)

Milano (dos antigos)

 Milano (tramway moderno)

Praha (tramway moderno)

Texto do autor do blog em 13 de abril de 2015.
Fotos do acervo pessoal do proprietário do blog

A cidade de Rio Grande em 1906 vista por Virgílio dos Santos Abreu


O texto que segue é de autoria do meu falecido tio Virgílio dos Santos Abreu, irmão da Celina, minha avó materna. Virgílio costumava escrever para os sobrinhos sobre a família Santos Abreu, originária de São Lourenço do Sul (RS), contando episódios por ele vividos ou sobre fatos e personagens da história familiar.

"No dia 3 de maio de 1906, procedente de São Lourenço e acompanhado do meu pai, José Maria dos Santos Abreu, cheguei na cidade de Rio Grande. Viajáramos num daqueles iates que transportavam os produtos da colônia, atravessando com mar calmo a Lagoa dos Patos. Chegamos ao porto do Rio Grande às 11h. O comércio estava fechado em virtude de ser feriado em comemoração à descoberta do Brasil.

Ficamos hospedados na residência de minha tia Teresa, que era viúva do Almirante Alves Nogueira. Dois meses depois mudei-me para a residência dos meus tios Nicanor (irmão do meu pai) e Brasília, que me acolheram como filho.

Naquela época, também residia em Rio Grande minha tia Damazinha, viúva do Almirante Abreu, mas preferi ir pra a casa do tio Nicanor, que era a bondade personificada. Ele havia sido Intendente de São Lourenço e, depois, dedicou-se ao comércio exportador. Quando seu barco (Menino Deus) naufragou carregado nas proximidades de Mostardas, na Lagoa dos Patos, contraiu uma forte pneumonia e, depois de restabelecido foi trabalhar com representações em Rio Grande.

Os irmãos elegantes Virgílio (e), David (D) e Dario, que não entra nesta história



 Nicanor dos Santos Abreu

Minha tia Brasília, sempre muito ativa, o ajudava fazendo doces, que eu distribuía no comércio varejista. Eles tinham dois filhos, Mário e Maria, sendo que esta contava com 13 anos e frequentava o Colégio das Freiras (Colégio Joana D’Arc). Eu, às vezes, ia buscá-la e vínhamos de mãos dadas. Minha tia queria que eu a namorasse, mas eu achava que a Maria, sendo uma menina bonita e educada, merecia melhor casamento e eu a considerava como uma irmã. O Mário, depois de trabalhar no banco Pelotense em Bagé e Santa Maria, foi transferido para Curitiba, onde casou e deixou o Banco, passando a trabalhar com madeiras, onde ganhou muito dinheiro e, depois, mudou-se para São Paulo, onde, guiado pela estrela da sorte, continuou a trabalhar em madeiras, comprou fazenda de café e duas tecelagens de seda, importando o fio de seda do Japão. E, quando rebentou a Segunda Grande Guerra, ele estava com um grande estoque de fio de seja japonês, que lhe deu um grande lucro. Foi quando ele comprou um luxoso palacete numa das esquinas da Av. Brasil em SP. Nessa ocasião, convidou-me para trabalhar com ele, mas eu preferi ficar na minha Cachoeira querida.

Minha tia Teresa (casou com Cap. Mar Guerra J. Antônio Alves Nogueira) tinha três filhos, João, Perpétua e Zélia. João Alves Nogueira foi desembargador do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul[1]. e exerceu interinamente o cargo de Governador do Estado no afastamento do Dr. Borges de Medeiros. Zélia casou-se com seu colega de academia e mais tarde mudou-se para Santa Catarina, onde deixaram uma numerosa e listre prole. O marido era primo e adversário político de Nereu Ramos, que o perseguiu muito, tendo falecido como Desembargador. A Zélia, quando noiva, eu é que, ao ouvir o apito rouco do vapor Vênus, do Loyd Brasileiro, corria para o Correio buscar sua correspondência e encontrava o mesmo cheio da famílias francesas aguardando correspondência de Paris.

Durante minha estada na cidade de Rio Grande, tive oportunidade de assistir a importantes acontecimentos, além das festividades pela abertura da barra, assisti à inauguração de sua primeira usina elétrica, na Rua Almirante Abreu, a dos bondes elétricos, partindo da avenida Buarque de Macedo, na Cidade Nova e a chegada do Dr. Afonso Penna.

Recém havia terminado meus estudos primários e não tinha recursos para continuar estudando e poder ingressar na Marinha, o que era o meu sonho. Apesar de ter vindo de uma vila do interior, tinha um certo desembaraço e logo me adaptei à vida da cidade, pois SLS já possuía boas sociedades, cinema, telefone e luz elétrica, o que naquela época poucas cidades possuíam. SLS, com seus barcos sulcando a Lagoa dos Patos, transportando seus produtos para Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, estava em franco progresso. Somente anos depois, com as novas estradas alcançando as colônias, a progressista vila perdeu seu comércio e seus barcos desapareceram. Meu cunhado, Mena (Germano Dieckmann), possuía um desses barcos, de nome Vencedor, à época em que morávamos no sobrado dos meus avós, à margem da Lagoa (hoje, Hotel-fazenda do Sobrado). 

Germano "Mena" Dieckmann


Naquela época, a cidade de Rio Grande também estava em franco progresso, com o início dos trabalhos de abertura da barra, construção de seu novo porto e a instalação de luz e bondes elétricos, a cargo de uma companhia francesa. O Ginásio Lemos Júnior recém havia sido fundado, mas não possuía curso noturno. Foi nessa época que fundaram o primeiro clube de futebol do Brasil, o Esporte Clube Rio Grande. Também foi criado o Tiro Brasileiro nº 1.

Arrumei um emprego num armazém atacadista, de propriedade do português Joaquim José Taveira, onde trabalhava das segundas aos sábados, das sete às 18h, e, à noite, fazíamos serão até as 21h. Para passear, somente dispunha dos domingos e feriados à tarde, quando não chovia.

Eu consegui uma licença para, duas vezes por semana, estudar contabilidade no horário da noite, pagando R$ 20.000 (vinte mil réis), ou seja, 20% dos meus vencimentos de R$ 100.000 (cem mil réis). Foi este curso que, mais tarde, me serviu para ingressar no Banco Pelotense, em Cachoeira do Sul e para obter meu título de Contador na Superintendência do Ensino Comercial, no Ministério da Educação.

Sonho de Amor

Naquela época, o que eu mais apreciava era uma licença para ir visitar meus familiares em São Lourenço, visitar suas lindas praias e namorar suas garotas. Foi numa dessas visitas que conheci uma linda e esbelta garotinha, tipo “bibelou”, que me deixou tonto de amor. Era uma nossa vizinha – morávamos à margem do São Lourenço, em companhia de nossos primos Candoca e Mimosa e eu palestrávamos sorrateiramente, meio acanhados em sua residência, ou através de uma cerca de taboas que dividia nossas propriedades. Meses depois, fui para Bagé, como viajante comercial, e, daquela cidade de moças bonitas e endinheiradas, escrevi para minha irmã Zeca (Maria José), pedindo notícias do meu lindo “bibelou” e até hoje estou esperando resposta. Completamente desiludido, e julgando-me desprezado, resolvi passar uma esponja no pensamento e esquecer este episódio.

Minha saudosa mãe foi a estrela para a completa felicidade

Eu me encontrava em Bagé, quando recebi de um colega a proposta de emprego na firma atacadista de João Aydos e Cia, em Porto Alegre. Aceitando a proposta, tomei um trem para Porto Alegre, via Cacequi, e pernoitei em Santa Maria, na véspera da fundação da União dos Viajantes. Resolvi, então, interromper a viagem para assistir aos festejos de fundação daquela associação. Dia 22, ao passar por Cachoeira do Sul, quando os trens ficavam uma hora naquela cidade, para o almoço, eu resolvi trocar este pelos afamados sonhos de Rio Pardo e desci a movimentada rua Sete de Setembro, com seus carroções das colônicas descarregando e carregando mercadorias, parecidos com os de São Lourenço e seu porto repleto de embarcações.

A Praça das Paineiras, em plena primavera, toda florida exalando seu perfume foi o quanto serviu para eu ficar encantado com a cidade que mais tarde ofereceu-e por longo tempo as maiores alegrias e felicidade da minha longa vida.

Era o dia do aniversário de minha mãe (Conceição) e foi isso que me obrigou a deixar o trem na Estação e conhecer a bela cidade de Cachoeira. Depois de ir ao Telégrafo, na rua Saldanha Marinho, regressei satisfeito e alegre à estação, quando o trem já havia dado o sinal de partida. E, se não fosse o aniversário de minha mãe, eu teria passado por Cachoeira, como passei pelas cidades de Rio Pardo e Montenegro sem o menor interesse em conhecê-las.

Porto Alegre

Ao chegar em Porto Alegre, meu emprego já estava ocupado devido à minha demora. Depois de dois meses sem emprego, apenas vendendo artigos escolares da Livraria Selbach no comércio varejista e arrobas de encalhe do jornal Correio do Povo para embrulho, adquirindo por R$ 1 a arroba e vendendo-as a R$ 2.000 e pagando R$ 3.000 de frete, ia me defendendo para as despesas diárias. Os cafezinhos, os jornais e as passagens de bonde custavam cem réis.

Depois, comecei a trabalhar na Cia. Singer, como comissionado de um vendedor, ganhando a metade da comissão por cada máquina (de costura) vendida, ou sejam, R$ 10.000. Mais adiante, como eu já havia trabalhado três meses na cidade do Rio Grande, como seu vendedor, consegui minha nomeação. O empregado da Singer para qual eu vendia, deu um desfalque e então invertera-se os papéis, ele me dava seus candidatos e eu realizava as vendas. Eu ganhava R$ 20.000 mais 10% e dava R$ 10.000 para o ex-vendedor. Nas máquinas que vendia direto, eu ganhava R$ 22.000.


A Singer tinha agência na Rua da Praia, Azenha e Floresta. Eu trabalhava nessa última, próximo a três fábricas de cerveja onde eu tinha entrada franca. Dos 15 vendedores da Singer, eu era o que, aos sábados, faturava mais máquinas, ganhando dinheiro à beça, mas não soube economizar. A primeira coisa que eu fiz foi pagar a conta no Hotel Sarger e montar uma “república”, na Rua São Rafael (Alberto Bins), abastecê-la para os cafés da manhã e da tarde, não faltando o bom vinho do Porto, que custava R$ 2.000 o litro. Telegrafei para Pelotas, chamando meu irmão David para ser meu auxiliar e fomos fazer nossas refeições na Pensão de Dona Mocinha, na subida da Rua da Praia. Foi nesta ocasião que eu travei relações com o comerciário Gustavo Ilha e os estudantes de medicina Henrique Barros e Ângelo da Cunha Carlos, sendo que este último foi mais tarde nosso médico em Caçapava e Cachoeira do Sul.

Estávamos muito satisfeitos, vendendo muitas máquinas,quando rebentou a Grande Guerra em agosto de 1914. No Correio do Povo os curiosos iam ler os telegramas recém fixados à sua frente, noticiando as últimas declarações de guerra e as marchas dos exércitos. A princípio, as vitórias da Alemanha, para alegria da colônia alemã que encha as casas de chope dando vivas!

Santa Maria

Devido à Grande Guerra, as máquinas Singer subiram muito e as vendas paralisaram. Por tal motivo assustei-me e resolvi transferir minhas atividades para Santa Maria, como vendedor da Singer e aguardando uma vaga de seu gerente na cidade de Cachoeira do Sul, que era os meus sonhos. Em Santa Maria, o que eu mais gostava era todas as tardes, depois do expediente, dar um passeio com os colegas para ver as moças que estavam nas janelas de suas residências."


*As fotos são do arquivo pessoal do proprietário do blog



[1] Residia em uma casa de dois pisos ainda existente na Rua Fernando Machado, em Porto Alegre.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A origem e o significado do nome Dieckmann

Tinha razão o amigo do primo Waldemar Dieckmann que atribuiu ao sobrenome Dieckmann uma origem holandesa (leia aqui). Todavia, Dieckmann não é um nome de origem exclusivamente holandesa. Pesquisando, descobre-se que ele se originou de forma concomitante tanto na Holanda quanto no norte da Alemanha.
Da mesma forma, fica-se sabendo que “Dieck” tem, sim, algo a ver com diques, daí ser correta a explicação que ouvia dos parentes mais velhos quando menino, de que Dieckmann teria por significado “homem dos diques”. Mas, pára aí, dique é dam, em holandês, e damm, em alemão? Então, deveria ser Dammann, ou Dammann, não é?
Ocorre que, no baixo alemão havia a forma “Deich” , em algumas regiões grafada como Dyck ou Dyk, para designar dique. Supostamente,“deichmann”ou “dyckmann”ou “dieckmann” seria quem vivia perto de ou tinha de tomar conta de algum dique (e a origem para os sobrenomes na Idade Média, é consabido, era esta, tomando levando em conta a situação ou as atividades das pessoas).
Do mesmo “Deich” originaram-se as grafias Diekmann, Diekman, Dieckman, Dickmann, Dickman, Dickmans, Diegmann, Dijkman, Dykman. Há registros igualmente das variantes Diekmännken, Kleinediekmann e Kleinedickmann. Na Holanda, apareceram as grafias Diekmann, Dijkman, Dickman, Dickman, Dickmans, Dieckman, Dieckmann, Diekman.
Ao fim e ao cabo, isso não quer dizer que todos os portadores do sobrenome Dieckmann ou de alguma de suas formas assemelhada sejam parentes. O fato é que o nome é de origem alemã e sua sua região de origem é aquela próxima ao Mar do Norte, tanto na parte alemã quanto na holandesa.

Veja mais clicando aqui.

Dieckmann Familie aus Südbrasilien

Dann transkribieren Auszug aus dem Buch "Conta outra, Vô", durch Waldemar Dieckmann, Ingenieur, Enkel von Willy Dieckmann, Bruder von meinem Großvater Germano (beide verstorben) geschrieben. Icarai Waldemar lebt in einem der Strände von Niteroi (Brasilien). In diesem Auszug aus dem Buch, erklärt Waldemar die Herkunft des Familiennamens Dieckmann, der in Brasilien Mitte des neunzehnten Jahrhunderts kam durch das Ehepaar Hermann und Sibylla Agneta Thilmann Dieckmann, der in São Lourenço do Sul bewohnt war (RS).
"Als Kind hörte ich meinen Vater, Dieckmann Leopold Dieckmann reden über dieses Wort, das einfach nicht in deutscher Sprache nicht existiert. Das Wort würde eher wie 'Dick', was bedeutet, sein" Fett ": OK, die Übersetzung wäre" dicken Mann Sinn macht. Aber immerhin, und "e", wie es schien?
Die Antwort kam, als ich schon über fünfzig Jahren. Engineer verantwortlich für den Bau einer Eigentumswohnung, ich von einem Miteigentümer war an einen Freund Besucher eingeführt. Zu wissen, mein Name dieses Besuches, die ein niederländischer Ingenieur war, fragte mich, wenn meine Eltern oder Großeltern aus Deutschland gekommen war. Ich antwortete, dass mein Urgroßvater war aus Deutschland mit seiner Familie gekommen. Ich antwortete, daß er sich einig, dass mein Großvater aus Deutschland kommen, aber der Name ist Niederländisch Dieckmann und seine Bedeutung ist "Mann des Deiches, 'und ist die Mutter, die mehr in Holland hat. Dieckmann sagte, dass ist so verbreitet wie in Holland und Oliveira Silva Costa in Brasilien. Sicherlich, dann kann auf eine niederländische Dieckmann passiert haben, aus Holland nach Deutschland ausgewandert und ihre Nachkommen würden meine bemerkbar. Schade, daß mein Vater gestorben ist und nicht, um diese Klarstellung zu geben "(fl. 20)

Diese Erzählung von Waldemar zusammenfällt mit dem, was ich war mein Großvater und mein Onkel Germano Deodoro Víctor Mena und Idylle, erzählte nämlich, dass der Name wäre entweder ein oder Diekmann Korruption von "Dick" (Fett) oder ein Wort des niederländischen Ursprungs Re Deich .
Auch ist es sinnvoll, zu erraten, dass eine niederländische Dieckmann nach Deutschland eingewandert und von dort einer seiner Nachfahren hatten nach Brasilien gekommen. Es geschieht, damit ich die Nachricht, hatte Hermann Dieckmann aus Düsseldorf entstanden, eine Stadt, in der Nähe der Niederlande ist in geografischer Hinsicht. Mit der Familie von Beethoven, zum Beispiel, das Gleiche passiert, die Eltern waren niederländische und zog nach Bonn, Deutschland, dem Geburtsort von Ludwig van (gibt es ein Museum in Bonn Beethoven, der hat sogar auf dem Display das Geburtshaus des Genius der Musik ).
Nun, es gibt immer einen Haken. Die Beethoven brachte Deutschland den "ee" charakteristisch für die niederländische Rechtschreibung und Dieckmann-Graph mit "ie". Dennoch könnte der niederländischen Ursprungs, eine Verballhornung von "ey" (van Eyck), als Dieckmann, der in New York gelebt werden erwähnt in Korrespondenz mit Jefferson Dieckmann.
"Yes" nicht, es ist sicher, dass zumindest heute, Dieckmann "ist ein deutscher Name Wonderful", wie ich hörte einmal von einem Berliner, der bei einem Frühstück Sitzung der Handelskammer Deutschland-Brasilien erfüllt.
In der Zeit hat einen Bruder Waldemar, Walter, der am Strand wohnt in Gonzaga war Santos (SP) und auch Ingenieur sein ganzes Leben. Zurzeit werden die beiden im Ruhestand sind und leben im Paradies Praiano, jeweils von Rio und SP. Sie sind die wenigen Nachkommen von Hermann und Sibilla Lebenshaltungskosten außerhalb von Rio Grande do Sul
Dann transkribieren Auszug aus dem Buch "Conta outra, Vô", durch Waldemar Dieckmann, Ingenieur, Enkel von Willy Dieckmann, Bruder von meinem Großvater Herman (beide verstorben) geschrieben. Icarai Waldemar lebt in einem der Strände von Niteroi (Brasilien). In diesem Auszug aus dem Buch, erklärt Waldemar die Herkunft des Familiennamens Dieckmann, der in Brasilien Mitte des neunzehnten Jahrhunderts kam durch das Ehepaar Hermann und Sibylla Agneta Thilmann Dieckmann, der in São Lourenço do Sul bewohnt war (RS).
"Als Kind hörte ich meinen Vater, Dieckmann Leopold Dieck reden über dieses Wort, das einfach nicht in deutscher Sprache nicht existiert. Das Wort würde eher wie 'Dick', was bedeutet, sein" Fett ": OK, die Übersetzung wäre" dicken Mann Sinn macht. Aber immerhin, und "e", wie es schien?
Die Antwort kam, als ich schon über fünfzig Jahren. Engineer verantwortlich für den Bau einer Eigentumswohnung, ich von einem Miteigentümer war an einen Freund Besucher eingeführt. Zu wissen, mein Name dieses Besuches, die ein niederländischer Ingenieur war, fragte mich, wenn meine Eltern oder Großeltern aus Deutschland gekommen war. Ich antwortete, dass mein Urgroßvater war aus Deutschland mit seiner Familie gekommen. Ich antwortete, daß er sich einig, dass mein Großvater aus Deutschland kommen, aber der Name ist Niederländisch Dieckmann und seine Bedeutung ist "Mann des Deiches, 'und ist die Mutter, die mehr in Holland hat. Dieckmann sagte, dass ist so verbreitet wie in Holland und Oliveira Silva Costa in Brasilien. Sicherlich, dann kann auf eine niederländische Dieckmann passiert haben, aus Holland nach Deutschland ausgewandert und ihre Nachkommen würden meine bemerkbar. Schade, daß mein Vater gestorben ist und nicht, um diese Klarstellung zu geben "(fl. 20)
Diese Erzählung von Waldemar zusammenfällt mit dem, was ich war mein Großvater und mein Onkel Germano Deodoro Víctor Mena und Idylle, erzählte nämlich, dass der Name wäre entweder ein oder Diekmann Korruption von "Dick" (Fett) oder ein Wort des niederländischen Ursprungs Re Deich .
Auch ist es sinnvoll, zu erraten, dass eine niederländische Dieckmann nach Deutschland eingewandert und von dort einer seiner Nachfahren hatten nach Brasilien gekommen. Es geschieht, damit ich die Nachricht, hatte Hermann Dieckmann aus Düsseldorf entstanden, eine Stadt, in der Nähe der Niederlande ist in geografischer Hinsicht. Mit der Familie von Beethoven, zum Beispiel, das Gleiche passiert, die Eltern waren niederländische und zog nach Bonn, Deutschland, dem Geburtsort von Ludwig van (gibt es ein Museum in Bonn Beethoven, der hat sogar auf dem Display das Geburtshaus des Genius der Musik ).
Nun, es gibt immer einen Haken. Die Beethoven brachte Deutschland den "ee" charakteristisch für die niederländische Rechtschreibung und Dieckmann-Graph mit "ie". Dennoch könnte der niederländischen Ursprungs, eine Verballhornung von "ey" (van Eyck), als Dieckmann, der in New York gelebt werden erwähnt in Korrespondenz mit Jefferson Dieckmann.
"Yes" nicht, es ist sicher, dass zumindest heute, Dieckmann "ist ein deutscher Name Wonderful", wie ich hörte einmal von einem Berliner, der bei einem Frühstück Sitzung der Handelskammer Deutschland-Brasilien erfüllt.
In der Zeit hat einen Bruder Waldemar, Walter, der am Strand wohnt in Gonzaga war Santos (SP) und auch Ingenieur sein ganzes Leben. Zurzeit werden die beiden im Ruhestand sind und leben im Paradies Praiano, jeweils von Rio und SP. Sie sind die wenigen Nachkommen von Hermann und Sibilla Lebenshaltungskosten außerhalb von Rio Grande do Sul.

Die Dieckmann in Santa Catarina und Mato Grosso

In Ipira im westlichen Santa Catarina, dem zentralen Platz ist Gerard Clement Dieckmann benannt. Der Name des geehrt von Santa Catarina hat die gleiche Schreibweise Dieckmann South St. Lawrence Einer der Nachfahren von Hermann Dieckmann, die es ging schließlich entdeckt, dass Gerard Clement hatte ein Deutscher, der nach Brasilien nach dem Ersten Weltkrieg kam worden. War ein Fotograf von Beruf und darüber hinaus zu machen Bilder von Hochzeiten, die sehr beliebt in der Region wurde - daher auch der Name des Platzes haben sich - fotografierte der Natur, vor allem in Proben des Atlantiks, die er an deutsche Wissenschaftler verkauft .
Die Frau von Gerard Clement, der am Leben war zu dieser Zeit, etwa 90 Jahre, bestätigte, dass er von der gleichen deutschen Familie, die Herman Dieckmann SLS gehörte. Gerald Clement würde die westlichen Santa Catarina verwurzelt, um seine Nähe zum Atlantik gewählt haben, und weil er zu diesem Zeitpunkt in Brasilien angekommen, gab es nicht mehr viel für Einwanderer. Für die Information der Ehefrau von Gerard Clement, wäre es von der Stadt Opzig sein Ursprung, in der Nähe von Frankfurt.
Ein weiterer Nachkomme von Hermann Dieckmann, die Suche im Internet, fand Personen mit dem Nachnamen Dieckmann lebt in der Gemeinde von Alta Floresta, in Mato Grosso. In Kontakt mit diesen Menschen, wurde ihm gesagt, dass seine Vorfahren aus Santa Catarina waren, aber ohne den Landkreis kennen. In jüngerer Zeit entdeckte er, dass ein Verwandter von Alta Floresta Dieckmann wurde in Curitiba (Paraná), für die medizinische Behandlung. Diese Dieckmann sagte ihre Mutter lebt in Cafelândia in westlichen Paraná, in der Nähe von Rattlesnake, und würde in Santa Catarina stammt. Es wäre möglicherweise Abkömmling (Kind?) Von Gerard Clement werden.
Dies ist somit ein weiteres Kapitel Dieckmann Familie in Brasilien.

A origem do nome Dieckmann

Waldemar Dieckmann

A seguir, transcrevo trecho do livro "Contra outra, Vô", de autoria de Waldemar Dieckmann, engenheiro , neto de Willy Dieckmann, irmão do meu avô Germano (ambos falecidos). Waldemar vive em Icaraí, uma das praias de Niterói (RS). Neste trecho do livro, Waldemar esclarece a origem do sobrenome Dieckmann, que veio para o Brasil em meados do século XIX, trazido pelo casal Hermann e Sibylla Agneta Thilmann Dieckmann, que se radicou em São Lourenço do Sul (RS).
"Desde criança, ouvia meu pai, Leopoldo Dieckmann, falar sobre essa palavra Dieck, que simplesmente não existe no idioma alemão. A palavra mais parecida seria 'dick', que significa 'gordo'; tudo bem, a tradução seria 'homem gordo, faz sentido. Mas afinal, e o 'e', como surgiu?
A resposta veio quando eu já tinha mais de cinquenta anos. Engenheiro responsável pela construção de um condomínio, fui apresentado por um condômino a um amigo visitante. Sabendo o meu nome, esta visita, que era um engenheiro holandês, perguntou-me quando meus pais ou avós tinham vindo da Alemanha. Respondi que meu bisavô havia vindo da Alemanha com a família. Retrucou-me que concordava que meu bisavô tivesse vindo da Alemanha, porém o sobrenome Dieckmann é holandês e seu significado é 'homem do dique'; e dique é o que mais tem na Holanda. Disse ainda que Dieckmann é tão comum na Holanda como Silva, Costa ou Oliveira no Brasil. Certamente, então, pode ter acontecido de um Dieckmann holandês ter emigrado da Holanda para a Alemanha e um seu descendente seria o meu visavô. Pena que meu pai já havia falecido e não cheguei a dar-lhe este esclarecimento" (fl. 20)
Esta narrativa de Waldemar coincide com o que me contavam meu avô Germano e meus tios Deodoro Mena e Idílio Víctor, ou seja, que o nome Dieckmann seria ou uma ou corruptela de "dick" (gordo) ou uma palavra de origem holandesa referente a dique.
Igualmente é razoável a suposição de que um Dieckmann holandês tivesse migrado para a Alemanha e, de lá, um de seus descendentes tivesse vindo para o Brasil. Ocorre que, pelo que tenho notícia, Hermann Dieckmann era originario de Düsseldorf, uma cidade que fica perto da Holanda em termos geográficos. Com a família de Beethoven, por exemplo, aconteceu o mesmo, os pais eram holandeses e migraram para Bonn, na Alemanha, onde nasceu Ludwig van (em Bonn existe o Museu Beethoven, que, inclusive, tem em exposição o berço do gênio da música).
Agora, sempre tem um porém. Os Beethoven levaram para a Alemanha o "ee" característico da grafia holandesa e Dieckmann grafa-se com "ie". Ainda assim poderia ser de origem holandesa, numa corruptela de "ey" (van Eyck), como um Dieckmann que vivia em Nova Iorque mencionou em correspondência ao Jefferson Dieckmann.
Pelo sim, pelo não, o certo é que, pelo menos hoje em dia, Dieckmann "é um nome maravilhosamente alemão", como ouvi, certa vez, de um berlinense que conheci em uma reunião-almoço da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha.

A Familia Santos Abreu de São Lourenço do Sul

O sobrado que se situa na margem direita do Rio ("Arroio") São Lourenço foi construído, em fins do Século XVIII, por José da Costa Santos, originário do Rio de Janeiro e radicado em Rio Grande, que se casou com Anna Joaquina Gonçalves da Silva Santos, filha do capitão Joaquim Gonçalves da Silva e irmã do Gen. Bento Gonçalves da Silva.
As terras onde foi construído o sobrado faziam parte da herança que o capitão Joaquim, morto em 1826, deixou para a filha, mais conhecida por Donanna. Eram terras que situavam-se na margem direita do Rio Camaquã e se estendiam até atual município de SLS, incluindo o Boqueirão (as terras à esquerda do Camaquãm ficaram para o herói farroupilha e se constituiram na Fazenda do Cristal). O marido da irmã de Bento Gonçalves era devoto de São Lourenço e deu deu o nome do santo à fazenda que a esposa recebeu como herança.
José da Costa Santos e Donanna tiveram três filhas: Anna da Silva Santos que casou com João Francisco Vieira Braga; Tereza da Silva Santos que casou com Inácio José de Oliveira Guimarães e Perpétua da Silva Santos que casou, em 1831, com Antônio Francisco do Santos Abreu. Aqui o sobrenome Santos Abreu entra na história.
Antônio Francisco e Perpétua tiveram os seguintes filhos: Joaquim Francisco dos Santos Abreu ( o Almirante Abreu, herói da Guerra do Paraguai), casado com Damazinha, Antônio dos Santos Abreu (Barão dos Santos Abreu, médico benemerente radicado em Pelotas), Teresa, que se casou com Cap. Mar-e-Guerra J. Antônio Alves Nogueira, Inácio, Vicente, Nicanor (um dos primeiros Intendentes de SLS) e José Maria dos Santos Abreu, meu bisavô, que casou com Conceição. José Maria e Conceição tiveram os filhos Pio, Nicanor, Célia, Celina (minha avó materna), Venúncia, Maria José (Zeca), Virgílio, David, Dario e Branca. Celina, casou com Germano Dieckmann Filho (de apelido Mena) e o casal teve os filhos Deodoro Mena (incorporou o apelido do pai), Idílio Victor e Sibilla (minha mãe).

Alguns dados foram obtidos em http://gilneiandrade.blogspot.com/2008/02/fazenda-do-sobrado-so-loureno-do-sul.html. A maior parte, porém, consta de documentação em meu poder.

A Família Dieckmann de São Lourenço do Sul


São Lourenço do Sul é a região de origem da Família Dieckmann no Brasil. Foi SLS que o casal Hermann e Sybilla Agneta Tilmann Dieckmann escolheu para viver, vindo da Alemanha em meados do século retrasado já com alguns filhos nascidos.
Hermann Dieckmann começou trabalhando como agricultor, tendo adquirido dois lotes de terra no interior do município. Mais tarde, foi para a cidade, onde teve uma casa de comércio
 Conforme o projeto Imigração Alemã (Brazilgenweb – Genealogia Brasileira) há o registro da aquisição, por Hermann, em 1º/07/1862, de dois lotes (31 e 32A), num total de 67,9 ha, na Picada Quevedos, em São Lourenço do Sul. Em 20/10/1874, há o registro da aquisição de mais um lote, de 24,7ha, na Picada Benedito, também em SLS.
 O registro do óbito de Hermann Dieckmann indica que ele faleceu a 8 de dezembro de 1922, aos 87 anos de idade. Na ocasião, ele já era viúvo. O filho mais moço, Germano, foi quem efetuou o registro do falecimento.
 Sybilla morreu em sua casa, em 1º de maio de 1905, com a idade de 70 anos e dez meses. Foi declarante do óbito o marido, que não lembrou, na ocasião o nome dos pais da falecida, conforme consta no documento.
 Hermann Dieckmann naturalizou-se brasileiro em 11/10/1879 e teve os seguintes filhos:
 - Anna, alemã, chegou com cinco anos de idade; casou com Frederico Niemeyer e teve três filhos: Frederico Henrique, que tinha o apelido de Cid, Frida Clarice (Mimi) e Flora (Lili). Cid casou com Anita Maia, que teve os filhos Flávio e Cláudio, ambos falecidos. Mimi casou com Faustino Maia e teve o filho Adi, que casou com Adela Schneid e teve as filhas Darly e Liane. Lili morreu solteira e não teve filhos.
 - Antonio Henrique (possivelmente alemão) morreu numa viagem à Alemanha, casou com Minten Nickel e teve duas filhas - Elza Dieckmann Funcken e Lili Dieckmann. Elza não teve filhos. Lili casou com um alemão (não se sabe o nome) e consta que teve um filho que casou com brasileira e teve quatro filhas, sempre morou no Rio de Janeiro.
 - Gerhard (possivelmente alemão), nascido em 1860, era negociante e casou-se, em SLS, com Elizabetha Heidrich. Tiveram sete filhos, sendo quatro no Brasil: Guilherme Frederico Olivério, Artur, Frida e Elza, e três na Argentina: Oscar Alfredo, Rodolfo e Irma.
 - Paulina - que casou com Carllos Rodrigues Maia e teve os filhos Olga, que casou com Arno Reineken; Carlos, que casou com Clementina Hammes e, depois, com Vergínia Alves; Sybilla (Bila), que casou com Acelino Nascimento; Irma, que casou com Henrique Hammes; Marina, que casou com Egídio José Vargas, Anita, que casou com Cid Niemeyer, Germano, que casou com Cacilda, Dalila, que casou com Gustavo Wienke, e Atilano, que casou com Celina.
 - Guilherme (Willy), (possivelmente alemão), teve, com Etelvina da Silva o filho Leopoldo, que nasceu pouco antes ou pouco depois da sua morte e o declarante da paternidade foi o avô paterno. Leopoldo teve os filhos Walter e Waldemar
 - Maria - nasceu em 26/01/1864 (possivelmente na Alemanha), casou com Julio Reinecken (alemão), e teve os filhos :Júlio César, Detloff Paulo; Tusnelda (Nenezinha), Ilsa Amália, Edgard e Arno Lúcio.
 - Elisa , casou com Olivério Gonçalves Moreira, e teve o filho Mílton, casado com Ernestina Neutzling, Dênis, que casou com Margarida e, em segundas núpcias, com Dalila, e Nila (solteira e sem filhos),
 Amália - que faleceu solteira e sem filhos
Júlio - que viveu muitos anos na Argentina, casou tardiamente com Amália Folha e não deixou descendência
Germano - nascido no Brasil - que casou com Celina e teve os filhos Deodoro Mena, Idílio Víctor e Sibilla.
 

 

sábado, 12 de setembro de 2009

Ivan Pedro de Martins - Um grande autor gaúcho esquecido


Na verdade ele era mineiro, Ivan Pedro de Martins. Andou pela Campanha no fim da primeira metade do século passado. A exemplo de outro mineiro, Guilhermino César, encantou-se com o que viu. O trecho que segue é do livro “Caminhos do Sul”, edição da Globo (1946), quando ainda era da família Bertaso.
Já mencionei este autor em outro blog de minha autoria, mas volto a ele, aqui, pois fico encantado por ter dado atenção à região mais meridional do Rio Grande do Sul (e do Brasil), o que não é comum nos autores locais. É uma pena, também, que as obras que tratam da literatura rio-grandense não façam menção a ele.
O que vai a seguir transcrito é um trecho do “Caminhos do Sul” e descreve um temporal em pleno campo, coisa muito comum por estes pagos.
“O ar estava pesado. Tio Virgílio pensava que o melhor era por a carga no boliche e esperar que a tempestade passasse. A tormenta se aproximava. O sol era um tição vermelho no borralho das nuvens cinzentas. Esfiapadas, as nuvens brancas saíam como lã de novelo das bandas do sul e formavam uma cola de pomba no céu esbranquiçado. Os cachorros andavam de língua pendurada, sentados debaixo dos cinamomos, pois não aguentavam ficar deitados.
- Vai ser gorda. Disse tio Virgílio. Os outros concordaram.
O dia morria sufocado de eletricidade e o céu parecia inverter a abóbada em nuvens cada vez mais negras e mais próximas da terra, espremendo o ar úmido que oprimia os homens. Já era quase noite quando o ar parou completamente, como se esvaziasse o mundo de ruídos e um vácuo tenebroso ocupasse tudo, apertando os ouvidos e fazendo latejar as fontes. Os homens se olharam e Laudelino riu. O barulho da risada repercutiu pelas coxilhas silenciosas e um trovão profundo a terminou, acompanhando o chispaço que cruzou de uma nuvem a outra sobre o boliche.
- Aí vem ela.
E se desencadeou uma sarabanda de raios e trovões, cortando o ar em todas as direções, unindo o céu e a terra em ziguezagues ofuscantes que carbonizavam árvores ou estatelavam vacas e ovelhas. A chuva começou com um granizo grosso como ovos de quero-quero, branqueando o campo com as pedras brilhantes, que saltavam ao golpear o chão, depois se despencou em cataratas, imensos cordões de água, unidos e parelhos a ponto de mais semelhar o derramar gigante do mar que o esfiapar de nuvens prenhes de umidade. Em poucos minutos estava o corredor transformado em regato barulhento e o pátio do boliche em lagoa que escorria pelos valos naturais em direção do Espantoso. A noite que chegava se apressou a em ficar negra e no escuro soava aquele chuá sem fim sobre as santa-fés do rancho do Laudelino. Os trastes estavam dentro do galpão, os bois no potreiro e a carreta não era a primeira tormenta que aguentava. Ele estava sequinho no boliche.”