sexta-feira, 17 de abril de 2015

Pepsi-Cola, o "refrigerante gaúcho". Gaúcho?

No meio de outras, lá estava ela, uma garrafa da Pepsi-Cola. Encontrei-a na manhã de um domingo ensolarado entre antiguidades expostas no Brique da Redenção em Porto Alegre. Não se tratava de uma garrafa qualquer: era uma garrafa antiga, de um dos seus formatos comercializados no Rio Grande do Sul.
Aquela garrafa algo tosca, com um logotipo rudimentar impresso em litografia no vidro arranhado pelos milhares de entrechoques que terá sofrido com suas outras iguais por anos, despertou-me recordações. A Pepsi-Cola foi o refrigerante da minha infância/adolescência e um surpreendente "case" de marketing. Foi o refrigerante mais consumido no Rio Grande do Sul desde o começo de sua fabricação, em março de 1953, até meados dos anos 1980.


O sucesso da Pepsi-Cola nos 'pampas' deveu-se em grande parte ao tino comercial do comendador português Heitor Pires, que, se valeu de suas boas relações com a comunidade portuguesa no Estado para incrementar a venda do refrigerante.
Ocorre que, nos anos 50, o comércio varejista de gêneros alimentícios (armazéns de secos e molhados como eram chamados) nas três principais cidades gaúchas (Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande) estava nas mãos de portugueses. Heitor Silveira, era o que se dizia, vendeu ações da Pepsi para os conterrâneos e estes tinham o maior interesse em vender o produto, pois, assim, lucravam tanto na venda direta quanto nos resultados do investimento.
O sucesso do comendador deveu-se também ao fato de der definido a posição da Pepsi como "refrigerante gaúcho", pois só era fabricada aqui, em contraposição à Coca, que sempre se caracterizou como multinacional e por isso mesmo sofria com a hostilidade dos nacionalistas extremados. Havia até um "jingle" que vendia a Pepsi em ritmo de chula: "Pepsi-Cola eu bebo, com satisfação, bebo no inverno, bebo no verão. Oiga-le Pepsi-Cola gostosa!"
Heitor Pires, entre outras ações de marketing, pintava os armazéns de secos e molhados e bares que vendiam Pepsi com as cores do produto -- azul, vermelho e branco (as cores da bandeira norte-americana!), o que os transformava em um enorme chamariz para o produto. A Coca-Cola tentou seguir o caminho, mas como a Pepsi já havia se apropriado das três cores, teve de optar por um verde (!) totalmente sem graça.
Um colega de ginásio, certa vez, foi ao Rio de Janeiro e voltou contando que, em certa oportunidade, fora com amigos tomar refrigerante em um bar de Copacabana. Chegaram no balcão e perguntaram o que a casa tinha para oferecer. O garçom falou que "tinha de tudo". O gaúcho, acostumado a pedir Pepsi Cola, pediu uma. E o garçom encabulou: não tinha.
Comentava-se até que apenas em dois locais do mundo a Pepsi batia a Coca em vendas: Venezuela e Rio Grande do Sul.

Texto e foto do proprietário do blog - revisto e reapresentado em 17/04/2015

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