terça-feira, 21 de julho de 2015

Onde eu estava quando Getúlio Vargas se matou


Marca, no casaco do pijama, do tiro à queima-roupa

O casaco do pijama

O revólver e a bala

Vista geral do quarto de Getúlio Vargas

O Palácio do Catete - Hoje, Museu da República

Estava na escola, quando Getúlio Vargas se suicidou às 8h30min do dia 24 de agosto de 1954. Na época, tinha nove anos e idade e cursava o quarto ano do curso Primário no Colégio Felix da Cunha em Pelotas.
Pelas 9h, a diretora da escola, Geni Torres, passou pela nossa sala e informou que, diante do acontecido, as aulas estavam suspensa e os alunos, dispensados. Pediu que saíssemos em silêncio e sem atropelos.
Postos em fila dupla, como era hábito na época, nos dirigimos para a saída da escola. Quando estava para cruzar a porta, o garoto que ia na minha frente, para meu espanto, pôs-se a cantar: "Morreu, morreu, antes ele do que eu!"
Chegando em casa, nova surpresa: chorava pai, chorava mãe, chorava avó, até o cachorro chorava...
E não havia mais notícias além da que fora dada pelo Reporter Esso das 9h. A Rádio Farroupilha de Porto Alegre, que era ouvida em todo Estado, estava fora do ar. Havia sido incendiada por populares enfurecidos, junto com o jornal Diário de Notícias. A rádio e o jornal integravam o Grupo Diários Associados, de Assis Chateaubriand, que fazia oposição a Getúlio.
Em Pelotas, ao contrário da capital, est avacalma. No meio da tarde, via-se alguma certa movimentação de soldados da Brigada Militar, que se deslocavam para guarnecer pontos estratégicos da cidade, tais como a zona portuária.
O episódio do suicido de Getúlio foi o anticlimax da rápida sucessão de acontecimentos desencadeados pelo atentado da Rua Toneleros, em Copacabana, no Rio de Janeiro, que visava o governador Carlos Lacerda, mas acabou vitimando um major da Aeronáutica que o acompanhava.
Os militares, particularmente os da Aeronáutica, em oposição à tendência cada vez mais populista de Getúlio, pressionavam pela renúncia do Presidente da República, viram-se obrigados a desativar o projeto golpista que desenvolviam diante do impacto da morte do homem que era aclamado como "o Pai dos Pobres".

(Texto e fotos do proprietário do blog)